Melhores momentos do Congresso

11 02 2009
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X Congresso Luso-Afro-Brasileiro encerra com chave de ouro

9 02 2009

A sessão de encerramento do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro em Ciências Sociais decorreu sábado, dia 7 de Fevereiro, e contou com a presença de Manuel Carlos Silva, coordenador do X Congresso, Mário Nunes Pires de Lima e de Michel Wieviorka, presidente da Associação de Sociologia.

Michel Wierviorka, doutorado em Sociologia e especialista em questões de violência, terrorismo, racismo, movimentos sociais, inseguranças e diferenças sociais, já com dezenas de livros e centenas de artigos publicados, iniciou a sessão dirigindo um sincero pedido de desculpas por não falar em português. Na sua comunicação, com o tema da crise mundial, afirmou que esta crise “deverá ser mais grave no futuro do que é actualmente” realçando a necessidade de “colocar a questão de qual é a catástrofe que se avizinha”. Apresentou o seu ponto de vista sobre uma crise que tem de origem sociológica, chamando a atenção para a necessidade de dar poder às relações laborais e a outro tipo de capitalismo.

Caracterizando a sociedade actual como uma sociedade apática, dirige uma critica aquilo que chama de “narrativa habitual da crise” e aponta-lhe aspectos positivos “ a crise é revelatória, faz-nos compreender coisas que não percebíamos antes dela, torna tudo mais claro e simples”.

Apelidando o actual capitalismo de brutal, incita-nos a agir e a mudar, a criar novas perspectivas para um novo e saudável capitalismo. Michel Wierviorka entende que há já algum tempo que a sociedade vive confrontada com alterações profundas na sua estrutura de poder e que estas são geradoras de racismo e violência.

O sociólogo entende que esta crise deixou de ser unicamente económica, geradora de problemas sociais e políticos para os quais, uma democracia mais participativa, um sindicalismo mais forte e uma sociedade mais sensível com as questões ambientais, viriam trazer novas perspectivas e novos rumos. Vê esta crise como a primeira da globalização e assegura que podemos ter fé e confiança no futuro mas que, “não podemos ficar fechados na sala do baile do Titanic, a pensar nos nossos pequenos problemas”.

O X Congresso Luso-Afro-Brasileiro em Ciências Sociais termina assim com vontade de continuar um longo trabalho de aproximação de culturas, de intercâmbio científico e de união de sociedades aparentemente desiguais.

Texto: Helena Nunes





“A desigualdade entre homens e mulheres é mundial, é preciso mudar!”

9 02 2009

No último dia do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro debateu-se na sessão temática “Sociedade e desigualdade de géneros”, que teve como principais objectivos identificar as divergências relativas ao sexo masculino e sexo feminino e as relações de prestígio. A docente Conceição Nogueira procurou evidenciar, ao longo da sua intervenção, que “a desigualdade de género contínua disseminada e arreigada em muitas culturas”, tentado mostrar a importância da alteração dessa prática.

A “interseccionalidade: um desafio a enfrentar” foi o tema proposto pela oradora, delineado como um modo de expandir o pensamento do género feminino e a opressão de privilégios. Os movimentos feministas e os direitos das mulheres têm sido um desafio constante da contemporaneidade. Apesar da taxa de empregabilidade da mulher ter aumentado, “o risco de pobreza é maior” e a taxa de desemprego é “de maior duração que os homens”, explica Conceição Nogueira.

A questão das relações de prestígio foi discutida pela docente Rosa Melo, autora de o “Homem é homem, Mulher é sapo”. O assunto estendeu-se até às dinâmicas da cultura local, que originam maior poder através dos rituais de iniciação, segundo a oradora. O ritual de iniciação feminina é o “efuko”, que se traduz na transição do ser em mulher. Por sua vez, o ritual de iniciação masculina é apelidado de “ekwendje”, no qual há a perda da infância e a passagem para a vida adulta. Estes rituais marcam uma maior relação de prestígio do que um não iniciado, concluiu Rosa Melo.

Texto: Flavie Laura





A cooperação como melhoradora de relações

9 02 2009

A última sessão plenária do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro, subordinada ao tema “As ciências sociais no espaço lusófono: que futuro?” contou com a presença de órgãos de diversas associações de ciências sociais e teve como principal propósito analisar a cooperação entre os países lusófonos. Uma das presentes foi Margarida Pereira, da Associação Portuguesa de Geógrafos (APG), que garantiu que “da ligação intercontinental todos tiramos proveito”.

A geógrafa afirmou que a sua associação, que já contabiliza com mais de um milhar de associados, sendo estes “maioritariamente académicos”, tem como principais objectivos “estabelecer redes de ligação entre Portugal e os restantes países lusófonos” e, numa fase posterior, tentar “fortalecer essas mesmas ligações”.

A Associação Portuguesa de Antropologia (APA) também compareceu nesta assembleia, estando representada por um dos seus sócios, João Ferreira Almeida. O ex-presidente da Associação Portuguesa de Sociologia defende que “a investigação, o ensino, o intercâmbio de alunos e as publicações” são os “campos essenciais” para um bom relacionamento entre os países de língua oficial portuguesa. “Temos verificado resultados interessantes com os intercâmbios afro-brasileiros, contudo esses intercâmbios têm maior fluidez entre portugueses e brasileiros”, assegura João Ferreira Almeida. “As relações entre Portugal e Brasil são as mais incontestáveis, uma vez que o número de estudantes brasileiros em Portugal é bastante considerável”, acrescenta.

Os presidentes da Associação Portuguesa de Sociologia (APS), Luís Vicente Baptista, e da Financiadora de Estudos e Projectos (FINEP), Luís Manuel Fernandes, lamentaram o facto de este congresso não ter abordado dois temas dignos de referência num congresso deste género. Enquanto que, por um lado, o Presidente da FINEP pranteou a pouca exploração das “identidades nacionais e das histórias dos países lusófonos”, o sociólogo lastimou a inexistência de pelo menos um painel alusivo aos “acordos ortográficos”.

Texto: Pedro Nogueira





“Sexualidade, media e juventude”

8 02 2009

A área temática “Sexualidade, media e juventude” foi abordada sob diferentes pontos de vista, de acordo com estudos realizados pelos convidados. A investigação de Zara Pinto Coelho e Silvana Mota-Ribeiro, da Universidade do Minho, incidiu numa “compreensão discursiva e visual dos anúncios para mulheres” . Existe uma diferença  entre aquilo que é mostrado nas imagens e o modo como elas convidam o visionador a participar no mundo representado. Foi dado o exemplo das revistas femininas, onde quem olha são as mulheres e não os homens,  em que “é fundamental compreender como as visionadoras são convidadas a olhar para as mulheres representadas. Interrogamos se a imagem pede algo à visionadora ou se lhe oferece algo”, referem as autoras. É importante perceber o modo como as pessoas são posicionadas nas imagens. Quando se olha para a mulher na foto, o que importa é o que ela tenta transmitir. As fotos, os olhares, são feitos a pensar no público-alvo. As investigadoras analisaram, portanto, que tipos de discursos estão presentes nas imagens. Como disse Zara Coelho: “o sentido resulta da interacção”, ou seja, entre o que está a produzir para a imagem e para quem.

A intervenção de Cristina Pereira Vieira, docente da Universidade Aberta, foi direccionada para as “construções reflexivas da sexualidade dos/das jovens”. Os grupos menos escolarizados são os que iniciam a sua vida sexual mais cedo. Para os rapazes, a virgindade não tem tanta importância como para as raparigas. Depois da primeira experiência sexual os rapazes procuram outras parceiras e novas aventuras, enquanto que as raparigas pensam numa relação séria. O maior medo nos jovens adolescentes é o da gravidez.

A última intervenção coube a Sara Magalhães (IEP-UM), que realizou juntamente com  Luisa Saavedra e Conceição Nogueira,  um estudo sobre “Fama e imagem corporal: idealização do feminino numa revista para raparigas adolescentes”. Foi realçada a influência inegável dos media em relação aos mais jovens. Estes seguem atentamente revistas de adolescentes que abordam os temas que mais interesse causam. O tempo excessivo que passam junto dos meios de comunicação acaba por fazer com que influencie a formação da personalidade destes, o que nem sempre é positivo. “É urgente desconstruir conceitos e consciencializar os jovens”, afirmou Sara Magalhães.

Texto: Elsa Moura





Os Confrangimentos da Cidadania Urbana

8 02 2009


Na prossecução do objectivo do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro, decorreu mais um painel temático. O assunto abordado foi “Sociedade, Urbanismo e Políticas Culturais”, focando-se, essencialmente, na exposição dos vários pareceres relativos à influência do meio urbano nas sociedades actuais.

A temática explorada contou com um representante de cada vértice do triângulo Luso-Afro-Brasileiro. Nomeadamente, Irlys Barreira, José Machado Pais, Manuel Veiga e Carlos Fortuna, moderados pela docente da Universidade do Minho (UM), Helena Moura.

O tema em análise pelos investigadores teve como intuito cruzar as diversas problemáticas inerentes à vida urbana contemporânea. Incidindo, primordialmente, na ideia da ”cidade como um objecto imaginário”, segundo Irlys Barreiro, e ainda da “urbe” como algo que se pode “ver sem, verdadeiramente, se ver”, de acordo com Machado Pais. Não sendo sociólogos, mas, contudo presentes, Manuel Veiga, Ministro da Cultura em Cabo Verde e Carlos Fortuna, comentador, ressalvaram os contornos subjacentes aos mesmos motes.

Irlys Barreiro apresentou um estudo intitulado “Cidade, Memória e Património”, que serviu de cerne para guiar a sua intervenção. Com base em exemplos pragmáticos, a oradora explicou, aludindo ao bairro de Eracema, em São Paulo e Bairro da Alfama, em Lisboa, que os mesmos funcionavam “como uma espécie de metonímias”, de ícones, que representavam as respectivas cidades. Propôs, ainda, uma reflexão acerca das narrativas urbanas, invocando para esse efeito Walter Benjamin. Acrescentou, também o conceito de moradores como “ilhas de identidade” e insurgiu-se com a necessidade de combater a degradação provocada pelo ritmo consumista e fluxos fluentes de turistas.

Em seguida, José Machado Pais iniciou-se expondo a problemática da falta de tempo associada à vida nas cidades.”Um dia serei turista da minha própria cidade”, foi a frase que deu origem ao facto de nos tornarmos indivíduos sustentados pela “ideia de fuga”, de adiarmos sempre o que ostentamos fazer.

Consecutivamente, O Ministro da Cultura evidenciou que o meio urbano é agora um “modelo cultural…que é engolido pelas imagens publicitárias” e que as políticas deste campo se apresentam como mal sucedidas.

Por fim, Carlos Fortuna comentou as várias perspectivas apresentadas, dando o seu ponto de vista, ocupando o espaço para debate.

Texto: Andreia Mandim





Lusofonia, entrecruzamento de nacionalidades

8 02 2009

A sessão semi-plenária “Saberes, literaturas e linguagens” do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro realizada dia 7, contou com a presença de José Manuel Mendes e Neusa Maria Bastos.

“Da minha língua vê-se o mar.” A afirmação de Vergílio Ferreira, enunciada por José Manuel Mendes, demonstra como o espaço da lusofonia é autónomo e plural.

A música, composta por lugares de conciliação de tendências integra ritmos e construções. Por exemplo, a música portuguesa “advém da África, da América e sobretudo do Brasil”, explica José Manuel Mendes.

A diversidade é tida “como um modo de enriquecimento e dinamizador da lusofonia”, afirma Neusa Maria Bastos. Abarca um entrecruzamento de nacionalidades, pois actualmente há mais de 200 milhões de lusófonos que se expressam através da língua portuguesa. “Têm em comum a língua portuguesa e partilham história”, conclui Neusa Maria Bastos.

Texto: Flavie Laura