X Congresso Luso-Afro-Brasileiro encerra com chave de ouro

9 02 2009

A sessão de encerramento do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro em Ciências Sociais decorreu sábado, dia 7 de Fevereiro, e contou com a presença de Manuel Carlos Silva, coordenador do X Congresso, Mário Nunes Pires de Lima e de Michel Wieviorka, presidente da Associação de Sociologia.

Michel Wierviorka, doutorado em Sociologia e especialista em questões de violência, terrorismo, racismo, movimentos sociais, inseguranças e diferenças sociais, já com dezenas de livros e centenas de artigos publicados, iniciou a sessão dirigindo um sincero pedido de desculpas por não falar em português. Na sua comunicação, com o tema da crise mundial, afirmou que esta crise “deverá ser mais grave no futuro do que é actualmente” realçando a necessidade de “colocar a questão de qual é a catástrofe que se avizinha”. Apresentou o seu ponto de vista sobre uma crise que tem de origem sociológica, chamando a atenção para a necessidade de dar poder às relações laborais e a outro tipo de capitalismo.

Caracterizando a sociedade actual como uma sociedade apática, dirige uma critica aquilo que chama de “narrativa habitual da crise” e aponta-lhe aspectos positivos “ a crise é revelatória, faz-nos compreender coisas que não percebíamos antes dela, torna tudo mais claro e simples”.

Apelidando o actual capitalismo de brutal, incita-nos a agir e a mudar, a criar novas perspectivas para um novo e saudável capitalismo. Michel Wierviorka entende que há já algum tempo que a sociedade vive confrontada com alterações profundas na sua estrutura de poder e que estas são geradoras de racismo e violência.

O sociólogo entende que esta crise deixou de ser unicamente económica, geradora de problemas sociais e políticos para os quais, uma democracia mais participativa, um sindicalismo mais forte e uma sociedade mais sensível com as questões ambientais, viriam trazer novas perspectivas e novos rumos. Vê esta crise como a primeira da globalização e assegura que podemos ter fé e confiança no futuro mas que, “não podemos ficar fechados na sala do baile do Titanic, a pensar nos nossos pequenos problemas”.

O X Congresso Luso-Afro-Brasileiro em Ciências Sociais termina assim com vontade de continuar um longo trabalho de aproximação de culturas, de intercâmbio científico e de união de sociedades aparentemente desiguais.

Texto: Helena Nunes

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