Os Confrangimentos da Cidadania Urbana

8 02 2009


Na prossecução do objectivo do X Congresso Luso-Afro-Brasileiro, decorreu mais um painel temático. O assunto abordado foi “Sociedade, Urbanismo e Políticas Culturais”, focando-se, essencialmente, na exposição dos vários pareceres relativos à influência do meio urbano nas sociedades actuais.

A temática explorada contou com um representante de cada vértice do triângulo Luso-Afro-Brasileiro. Nomeadamente, Irlys Barreira, José Machado Pais, Manuel Veiga e Carlos Fortuna, moderados pela docente da Universidade do Minho (UM), Helena Moura.

O tema em análise pelos investigadores teve como intuito cruzar as diversas problemáticas inerentes à vida urbana contemporânea. Incidindo, primordialmente, na ideia da ”cidade como um objecto imaginário”, segundo Irlys Barreiro, e ainda da “urbe” como algo que se pode “ver sem, verdadeiramente, se ver”, de acordo com Machado Pais. Não sendo sociólogos, mas, contudo presentes, Manuel Veiga, Ministro da Cultura em Cabo Verde e Carlos Fortuna, comentador, ressalvaram os contornos subjacentes aos mesmos motes.

Irlys Barreiro apresentou um estudo intitulado “Cidade, Memória e Património”, que serviu de cerne para guiar a sua intervenção. Com base em exemplos pragmáticos, a oradora explicou, aludindo ao bairro de Eracema, em São Paulo e Bairro da Alfama, em Lisboa, que os mesmos funcionavam “como uma espécie de metonímias”, de ícones, que representavam as respectivas cidades. Propôs, ainda, uma reflexão acerca das narrativas urbanas, invocando para esse efeito Walter Benjamin. Acrescentou, também o conceito de moradores como “ilhas de identidade” e insurgiu-se com a necessidade de combater a degradação provocada pelo ritmo consumista e fluxos fluentes de turistas.

Em seguida, José Machado Pais iniciou-se expondo a problemática da falta de tempo associada à vida nas cidades.”Um dia serei turista da minha própria cidade”, foi a frase que deu origem ao facto de nos tornarmos indivíduos sustentados pela “ideia de fuga”, de adiarmos sempre o que ostentamos fazer.

Consecutivamente, O Ministro da Cultura evidenciou que o meio urbano é agora um “modelo cultural…que é engolido pelas imagens publicitárias” e que as políticas deste campo se apresentam como mal sucedidas.

Por fim, Carlos Fortuna comentou as várias perspectivas apresentadas, dando o seu ponto de vista, ocupando o espaço para debate.

Texto: Andreia Mandim

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