A sessão “Migrações qualificadas no espaço luso-afro-brasileiro”, realizado ontem, teve como objectivo explicar as várias razões que levam os investigadores portugueses a optar pela emigração. O estudo da socióloga Ana Delicado, presente no evento, revela que “a falta de equipamento científico” é uma das causas mais referidas, sendo que também pode afectar a qualidade da investigação.
Baseado numa amostra de 521 investigadores portugueses que estão no estrangeiro, o estudo aponta também para a falta de oportunidades de trabalho e a dificuldade de progressão na carreira como outros motivos de emigração. Estes vários constrangimentos incentivem os investigadores a permanecerem no estrangeiro. De acordo com os resultados obtidos por Ana Delicado, 45 por cento dos inquiridos não pretendem voltar a Portugal. A socióloga salientou, no entanto, que a “atracção por um determinado país” pode influenciar as decisões de um potencial emigrante.
A socióloga da Universidade Nova de Lisboa, Arlinda Cabral, destacou que a emigração de estudantes que pretendem receber formação profissional e permanecerem no estrangeiro é cada vez mais frequente. Na África Subsariana, “a percentagem de estudantes no exterior do país chega a ser superior ao número de estudantes no interior”, afirma.
De acordo com Maria Ramos, docente da Universidade do Porto, “a dupla cidadania aumenta a participação efectiva dos migrantes qualificados”. Deste modo, os emigrantes acabam por fruir de “certos direitos” que permitem uma “mobilidade facilitada”.
A socióloga Cristina Farinha vem contrariar a opinião de Maria Ramos, afirmando que a liberdade de circulação na União Europeia é um “paradoxo”. “Muitas pessoas não vêem os seus direitos sociais serem respeitados nos países estrangeiros”, pelo que acabam por “ficar em casa”.
Texto: Pedro Nogueira
Fotografia: Pedro Nogueira

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